Não tenho dúvidas da banalização do tema na nossa sociedade. Somos cobrados permanentemente a expressar o amor em palavras, gestos e atitudes. E nos perdemos nesta caminhada sem saber exatamente o que significa amar.
No princípio era o Verbo, ou melhor, no princípio era a libido. O amor veio muito tempo depois.
Acredito ser demasiada pretensão, como normalmente o fazemos pela assumida arrogância de seres superiores a tudo, imaginar que nós, Homo sapiens, fôssemos assim tão diferentes de nossos coirmãos animais, aqueles outros. Naquele tempo, a ordem era sobreviver, matar para não morrer, procriar para continuar, atavicamente. O sexo era instinto básico; nada parecido com o amor, essa forma romanesca de encarar as relações entre homem e mulher. Aliás, pensando bem, mesmo hoje, o que sabem de amor os bebês? Aprendem rapidinho que para alimentarem-se na hora certa, bem quando bate a fome, basta berrarem. Assim como para que sejam limpos ou ‘dizerem’ que tem algo incomodando. Ou esguelarem-se até não mais poder para conseguirem colo, aconchego, peito, ou tudo o mais que desejam. Puro instinto de sobrevivência, sem falar nas outras manhas e malandragens.
É interessante pensar como foi que evoluímos até chegarmos ao amor. Palavra sagrada, meio santa. Não nos atrevemos a falar do amor, na sua forma latina, de forma jocosa, embora possam haver traduções com outros significados: ‘fazer amor’, por exemplo, nada mais é do que uma forma elegante, educada, ‘amorosa’, politicamente correta, de fazer sexo, trepar, foder.